Paixão pela mudança

Escrever um artigo de opinião é sempre um enorme desafio. Por um lado confronta-me com a necessidade de seleccionar, entre muitos temas, um que ocupa um espaço de preocupação na minha agenda, sobre o qual quero reflectir. Significa assumir posições claras, escritas na pedra, transmitir perspectivas pessoais, que marcam uma forma de sentir, de estar na vida. Seja! Antes polémico do que passar despercebido.

O que começou por ser uma abordagem técnica ao sector dos eventos, sobre tendências, boas práticas, foi-se paulatinamente transformando numa espécie de manifesto, de partilha de emoção dos cinquenta e tal anos de experiência. A paixão pela mudança é fruto desta simbiose. Como pedra de toque e fonte de motivação, elegi algumas palavras-chave, que reflectem bastante bem o que penso sobre a matéria. Vivemos tempos de mudança em que se afirma a necessidade de colocar uma enorme paixão em tudo o que fazemos; de apreciar a vida de uma forma holística, partilhando conhecimento; de promover a competência de liderança nas organizações, na sociedade em geral – desde logo na família, como pilar de sustentabilidade; de estimular a inteligência colectiva como forma de optimizar recursos e eficiência na acção. A mudança é um processo, um caminho, longo, quase sempre tortuoso e penoso, mas regenerador.

A mudança deve partir da nossa iniciativa, em vez de ser imposto do exterior. Podemos ler e sentir a imperiosa vontade de mudança nas pessoas à nossa volta, na informação que recebemos de todos os quadrantes sociais, económicos e ambientais. Basta olhar para as novas gerações para ler os sinais desta crescente capacidade para comunicar, da forma como as tecnologias de informação têm evoluído.

Em termos empresariais, com a globalização, o fenómeno é ainda mais evidente: quem não reaprende a comunicar, morre precocemente.

A essência da liderança assenta em três questões fundamentais. A capacidade de seleccionar, recrutar e construir equipas, identificar, executar tarefas segundo um plano (mesmo que alguns não gostem, controlar continua a ser necessário).

Last but not the least, mobilizar, educar e motivar as pessoas. Quase sem excepção, todas as organizações de sucesso respondem bem a estes critérios. A liderança tem ainda uma enorme vantagem; é um processo contagioso, que tende a tornar as organizações mais planas, permite a partilha de conhecimento, casa a experiência com a inovação, substitui a hierarquia pelo diálogo, transforma o trabalho em reconhecimento. A mudança exige tempo e ritmo. Começa por uma alteração de atitude, de cultura. Deitar fora o que não se usa para criar espaço para os novos hábitos, fazer mais com menos. Vivemos tempos de mudança, que nos ensinam a ser mais criativos, mais eficazes, a ver em cada problema novas oportunidades.

A paixão pela mudança pode ser um motivo para viver cada dia de forma mais intensa, mais solidária, mais sustentável. Viva a mudança!

Artigo de Opinião publicado em Event Point 8, Julho 2013

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Pedro Cardoso
O autor, dedica-se ao sector do Turismo desde 1982. Com formação em Gestão Hoteleira, foi quadro de cadeias hoteleiras, co-fundador e Director Executivo do Porto Convention Bureau, Consultor Hoteleiro, accionista e administrador de empresas de restauração e catering, Desde 2001, é Director da agência The House of Events, uma empresa especializada na organização de eventos associativos e corporativos e viagens temáticas.